novembro 04, 2003

Smile 36

Na sociedade do século XXI existe um animal que há muito justificava uma investigação profunda sobre a sua existência.
O porteiro de discoteca, conhecido como “Portas”, tem vindo a ganhar destaque na fauna noctívaga. Neste programa vamos abordar a sua forma de vida e habitat, e vamos também dar a conhecer a razão porque a natureza nos contemplou com este espécimen.
Sendo uma criatura sedentária, dado que nunca sai do mesmo sítio, o Portas faz parte de um grupo muito fechado. Este grupo, que não se inclui nos predadores, mas que também não faz parte das presas, domina a vida nocturna na selva. O poder que este grupo exerce sobre os demais moinantes da escuridão é de facto relevante. Este grupo é o proprietário das tocas onde a fauna teima em buscar diversão. Ora dentro do grupo, a linha hierárquica está bem definida, com o Portas a ocupar o último lugar.
Em termos de utilidade, não lhe é reconhecida nenhuma, mas revela-se preponderante no processo de diversão, inexplicavelmente.
A teoria que os nossos biólogos desenvolveram baseia-se em experiências comprovadas in loco e em estudos pormenorizados.
O Portas, normalmente de compleição física avantajada, tem dificuldades de comunicação. Uma gravação obtida por um explorador permite-nos comprová-lo:
- Boa noite.
- Hum.
- Nós somos dois, para entrar.
- Não!
- Mas estão aí dentro uns amigos nossos e….
- Não!
- …E eu tenho cartão de garrafa e…
- Não!

Um pormenor que o explorador encontrou foi um pequeno auricular na orelha do Portas. O estudo do comportamento do Portas levou-nos à conclusão que esse auricular é um sistema de apoio à comunicação. O Portas, sem esse apoio, não saberia o que dizer. Existe por detrás da criatura um outro elemento que lhe vai dando a indicação do que ele há-de dizer, via microfone, já que a palavra “não”, que tem mais de duas letras e com a dificuldade acrescida de ter um acento ortográfico, torna-se demasiado difícil de decorar pelo Portas.
No entanto, regista-se a excepção. Em 1978, em Alcântara, um cientista conseguiu ouvir um Portas dizer duas palavras seguidas. O tempo apagou essas duas palavras do diário do dito explorador, mas o mesmo veio a reconhecer mais tarde que se podia ter enganado, e que a criatura poderia não ser um Portas, mas sim alguém fazendo-se passar por ele.
Uma variante do Portas, geneticamente mais evoluída, é o Portas sem compleição física de destaque. Este Portas, produto da evolução natural da espécie (se bem que é muito possível que as reacções químicas a alguns resíduos tóxicos industriais estejam na origem desta transformação), já consegue emitir mais que as onomatopeias que lhe eram características. Os conhecidos “ugh”, “humm” e “ohrf” deram agora lugar a expressões mais complexas como “a casa está cheia”, “já estão cá muitos homens” e “só com cartão da casa”. A conclusão possível é que este Portas é um agente estranho ao habitat, e que por via de estratagemas maquiavélicos se conseguiu infiltrar no grupo para acabar com o nosso querido e já mítico troglodita.
As funções são as mesmas: Fica com dinheiro na mão, sem lhe poder fazer nada porque não consegue largá-lo, entrega pequenos papéis quadrados, e por vezes, talvez por impulsos instintivos, consegue desviar-se da frente de quem passa. Apesar da evolução a que foi sujeito, o Portas mantém o olhar distante e vidrado, qual zombie na Twilight Zone.
O nosso móbil é a defesa de uma criatura em riscos de extinção, uma criatura que fez as delícias da nossa juventude, que povoou o nosso imaginário de mortes dolorosas e lentas, com muito sangue e amputações, enquanto voltávamos para casa após termos sido impedidos pelo Portas de nos irmos divertir com alguns amigos.
A esse Portas, ao velho armário acéfalo, ao ser que mesmo só com um dígito no Q.I. se consegue manter em pé, uma grande homenagem. Salvemos os Portas do mundo. Vamos voltar a dar à noite a velha mística. Vamos recuperar a máxima: “O Portas pode ser um mono que só conhece duas letras do abecedário, mas depende dele a tua entrada num local de diversão nocturna, onde vais deixar o teu dinheiro para que ele possa receber um pagamento ao fim do mês e o vá gastar em aminoácidos.”.
Salva um Portas, deixa-te barrar por ele e dá algum significado à sua existência.
Até para a semana, eu sou o David Aruiudh…Agtuyr…Que se foda!

Publicado por Pikes em novembro 4, 2003 12:09 PM
Comentários

dispensava o fod*-se do fim ...
não precisas de dizer os vários fod*-se que escreveste ns outros textos ... consegues ter graça sem isso
Não é ser puritana, é achar que os fod*-ses podem ser ditos com propriedade, mas não necessariamente à força e muitos deles não precisavas de dizer

Abraço

GIN

Afixado por: GIN em novembro 8, 2003 09:14 AM

«... a razão porque ...»?

7, de 1 a 10.

Afixado por: Senhor Doutor em novembro 5, 2003 05:14 PM

cabrão do João...enfia os 50 Euros no rego... eh eh eh

Afixado por: TR5 em novembro 4, 2003 02:37 PM